Entrevista com José Colucci Jr.
Esse número do Zoom traz uma entrevista com o engenheiro e doutor em engenharia biomédica José Colucci Jr., que atualmente mora e trabalha nos EUA (Boston), mas que nem por isso deixa de participar ativamente da defesa do ensino de ciências nas escolas brasileiras e, bem por isso, publica regularmente artigos sobre ciência na mídia brasileira.
Recentemente um artigo seu focalizou outros dois artigos publicados pelo filósofo Olavo de Carvalho e a questão do ensino do criacionismo que está sendo implantado nas escolas públicas do Rio de Janeiro pelo casal Garotinho. Diante da polêmica ainda em andamento sobre o tema e do debate entre Colucci e Olavo de Carvalho, o Zoom resolveu entrevistar o doutor Colucci a fim de trazer para seus leitores, alunos e professores, uma reflexão sobre a “questão do ensino do criacionismo nas escolas públicas”.
José Colucci Jr. é engenheiro
mecânico pela Unicamp, mestre em Desenho Industrial pela USP, fez um segundo
mestrado e posterior doutorado em Engenharia Biomédica (USP e University of
Illinois). Foi professor da FAUUSP por 15 anos na área de metodologia de projeto
e professor visitante da University of Illinois. Viveu no Canadá, onde foi
Vice-President of Research & Development da Input Technologies Inc. Mora
hoje em Boston, EUA, e trabalha na IDEO (www.ideo.com), onde não existem
títulos ou cargos. Escreve artigos sobre ciência e ceticismo para a imprensa
brasileira. Toca violão clássico e popular. Esqueceu a idade, mas ainda se
lembra vagamente do Vigilante Rodoviário na TV Tupi. Só que era bem, bem pequeno.
Casado há 23 anos com uma bióloga, pesquisadora na área de biotecnologia,
tem uma filha de treze anos (autora da foto do entrevistado).
ZOOM: Recentemente os EUA reintroduziram
o ensino do criacionismo em alguns de seus estados e, ainda mais recentemente,
a governadora do Rio de Janeiro defendeu a mesma medida para as escolas do
seu estado. O Sr. publicou uma matéria no Observatório da Imprensa (links na
seção “Para consultar na Internet”) abordando o assunto e criticando dois artigos
do filósofo Olavo de Carvalho que o Sr. julga serem defesas do criacionismo.
O que o motivou a escrever essa matéria e essa crítica: externar sua posição
evolucionista a respeito do assunto ou o Sr. vê algum “perigo real” na postura
da governadora e na “defesa” do criacionismo por um filósofo conhecido?
Colucci: Antes, uma pequena correção:
nenhum estado americano reintroduziu oficialmente o criacionismo no currículo
da escola pública. Houve tentativas em alguns estados americanos de ensinar
o chamado “Design Inteligente”, que no fundo é o velho criacionismo em nova
embalagem. Os criacionistas foram derrotados em todas as batalhas legais que
travaram. Acertadamente, os tribunais americanos decidiram que criacionismo é religião,
e não ciência, e religião não pode ser ensinada com dinheiro público. A Primeira
Emenda da Constituição Americana, que determina a separação entre a Igreja
e o Estado, proíbe isso. É claro que a medida não evita que professores religiosos
influenciem a percepção dos alunos ou, o que é mais comum, evitem falar da
teoria da evolução para evitar conflitos.
Apesar das derrotas nos EUA, os criacionistas colheram
vitórias onde não esperavam – no resto do mundo. Depois desse barulho todo,
o movimento criacionista organizado popularizou-se em países onde quase não
tinha seguidores como a Inglaterra, Alemanha e, agora, o Brasil.
Meus artigos contra o criacionismo manifestam a minha
indignação pela apatia da comunidade intelectual e acadêmica brasileira a
respeito do assunto. A oposição à iniciativa da governadora Rosinha Garotinho
e da bancada evangélica do Rio de Janeiro de estabelecer aulas de religião
pagas pelo dinheiro do contribuinte foi débil. Uns poucos artigos na imprensa,
umas poucas vozes, nenhum movimento organizado a favor da ciência e da racionalidade.
Quem não estava atento sequer percebeu. Minha polêmica com o filósofo Olavo
de Carvalho não tem relação com isso, mas os argumentos antidarwinistas dele
acabam dando força ao criacionismo.
ZOOM: O Sr. vê algum problema
em se ensinar a “teoria” criacionista nas escolas como parte do programa de
conteúdos de ciências, acha que isso deveria ser abordado na área de ensino
religioso, que nem deveria ser ensinado ou tem ainda uma outra possibilidade
em mente? Enfim, na sua opinião, qual é o problema com a teoria criacionista
e com seu ensino nas escolas?
Colucci: A religião é uma
herança cultural humana e, como tal, deve ser ensinada sob o enfoque cultural
e antropológico, como queria Darcy Ribeiro. Seria proveitoso se as crianças,
em vez de serem expostas somente à religião que seus pais escolheram para
elas, estudassem as várias crenças e deuses criados pelos homens – do animismo
xamânico de nossos indígenas às religiões abraâmicas, passando pelas religiões
sem Deus, como o budismo. O criacionismo, como fundamentalismo contemporâneo,
deve ser estudado pela antropologia ou psicologia social, não pela ciência.
Esse estudo seria uma vacina contra a doutrinação cega. Em vez disso o que
temos é o ensino religioso confessional pago com o seu dinheiro e o meu (ainda
pago IR no Brasil), porque, vamos repetir para que ninguém tenha dúvida, criacionismo é religião.
ZOOM: Independentemente
do que a escola tenha ensinado ou não até agora, a grande verdade é que a maioria
das pessoas, pelo menos no Brasil, parecem ser criacionistas. A que o Sr. acha
que isso se deva, já que o criacionismo não é ensinado ainda nas escolas e,
segundo o Sr., o evolucionismo é melhor?
Colucci: A maioria das
pessoas não é criacionista, é ignorante em ciências. Como nunca pensaram sobre
o assunto, tudo o que sabem a respeito das origens é o que aprenderam no catecismo.
A melhor cura para os fundamentalismos é o ensino da ciência e, principalmente,
do método científico. É incrível que muita gente que recebeu o benefício de
uma educação superior ignore fatos básicos sobre o mundo que as cerca.
A evolução deve ser ensinada porque é ciência,
independentemente de preferirmos ter sido feitos à imagem e semelhança do
Criador ou ter um ancestral em comum com os chimpanzés. Ciência não é questão
de opinião. A evolução dever ser ensinada porque há um corpo enorme de evidências
experimentais para ela, porque faz previsões verificáveis, porque apresenta
uma coerência interna notável. Quem é criacionista deveria recusar os tratamentos
da medicina moderna, já que grande parte das drogas de última geração envolve
o conhecimento da evolução em sua elaboração ou teste.
ZOOM: Em termos práticos,
isto é, para a vida comum das pessoas, qual é a importância que o Sr. vê em
se optar pela teoria da evolução ou por uma das teorias criacionistas? Em que
isso pode afetar a “vida prática” das pessoas?
Colucci: À primeira
vista pode parecer que a discussão criacionismo versus evolução não
tem importância, especialmente quando há problemas mais graves que afetam
a vida de todos nós. Para entender o que está em jogo seria interessante examinar
a estratégia de Phillip Johnson, o criador do movimento do “Design Inteligente” americano.
Johnson, que é advogado, chama essa estratégia de “wedge”, que significa “cunha” em
inglês. O objetivo é introduzir a ponta da cunha – seja através de aulas de
criacionismo na escola, nos livros didáticos etc. – para depois entrar com
o resto da agenda fundamentalista. Segundo essa turma, a crença em Deus criador
deve influenciar todos os afazeres humanos. Com exceção dos fanáticos religiosos,
não acredito que haja muita gente que gostaria de viver em um mundo projetado
por eles. Os exemplos desse tipo de sociedade existem: o Afeganistão do Talibã,
o Irã dos Aiatolás, a Europa do tempo da Inquisição e, em muitíssimo menor
grau, os estados do chamado Bible Belt americano. Para os leitores brasileiros,
talvez seja preciso dizer que o chamado Bible Belt é uma região dos EUA sem
delimitação geográfica precisa em que os Batistas do Sul (Southern Baptists)
e outras seitas protestantes fundamentalistas são dominantes. Geralmente compreende
os estados de Lousiana, Mississipi, Alabama e Tenesse. Às vezes se acrescentam
partes do Texas, Kansas e o Norte da Flórida. É um lugar onde a religião permeia
praticamente todas as atividades humanas e freqüentemente uma conversa começa
com a pergunta: “Você aceita Jesus Cristo em sua vida?”.
ZOOM: Ainda pensando em
termos práticos, em linhas gerais quais foram as grandes contribuições da teoria
criacionista e da teoria evolucionista para o progresso da humanidade?
Colucci: Em determinado momento
histórico o criacionismo era uma teoria científica respeitável. As idéias
mais aceitas eram as de Cuvier, curador do Museu de História Natural de Paris
e um dos fundadores da paleontologia moderna.Cuvier conhecia bem a distribuição
dos fósseis nas várias camadas geológicas e tinha acesso a uma coleção imensa
de esqueletos de animais, mas a sua visão das espécies era criacionista. Para
ele, tanto os animais extintos como os atuais foram criados como são pelo
Criador. Embora já existissem hipóteses evolucionistas pré-darwinistas na época,
Cuvier não via nelas argumentos suficientes para abandonar a sua crença de
que os “modelos” naturais são eternos e imutáveis. Era um aristotélico. Cuvier
morreu antes de Darwin publicar a sua obra, mas seu pensamento influenciou
gerações subseqüentes de naturalistas. Mesmo após Darwin, não se pode falar
propriamente de uma única teoria da evolução, pois havia outras. A questão
só foi esclarecida completamente por volta de 1940, com a chamada “Síntese
Moderna” ou neodarwinismo, que examinou a teoria da evolução de Darwin à luz
de descobertas da genética. A partir daí as evidências para a evolução se
acumularam tão rapidamente, as peças se encaixaram tão bem, que, a menos que
novos fatos sejam descobertos, a única razão para não aceitar o darwinismo é o
fanatismo religioso.
Essa digressão serve para mostrar que ambas as teorias,
no passado o criacionismo de Cuvier, e hoje a evolução de Darwin e dos pioneiros
da síntese moderna, como Fisher, Haldane e Mayr, contribuíram para o progresso
do conhecimento. Sempre que uma teoria científica é substituída por outra que
se ajuste melhor aos fatos e tenha maior poder preditivo há pessoas que se
recusam a aceitá-la e se apegam de maneira irracional ao passado. O que antes
era ciência vira pseudociência. Não são apenas os criacionistas. Ainda hoje
há gente que não acredita que a Terra seja redonda, gente que acha que a Terra
tem apenas 6000 anos, gente que não aceita a relatividade de Einstein ou a
física quântica.
O grande evolucionista Dobzhansky,
por sinal um homem religioso, disse que “nada em Biologia faz sentido exceto à luz
da evolução”. A evolução, ou melhor, o pensamento evolutivo neodarwinista,
permitiu avanços imensos em agricultura, criação de animais, produção de remédios
e vacinas. Para ficar num só exemplo, a insulina da qual diabéticos no mundo
todo dependem para continuar vivos é produzida hoje pela manipulação genética
da bactéria E. Coli. No futuro próximo a terapia dos genes – baseada nos conhecimentos
trazidos pelo estudo de genética evolutiva – poderá até curar definitivamente
o diabetes, dispensando o uso de insulina injetável.
Não tem sentido falar da contribuição
do criacionismo porque, a rigor, ela não trouxe nenhuma. A pseudociência em
nada pode contribuir para o progresso científico e tecnológico. Seria o mesmo
que falar da contribuição da teoria da Terra plana para a navegação marítima.
ZOOM: Se ensinarmos em
nossas escolas que a teoria criacionista é a mais correta, ou tão correta quanto
a teoria evolucionista, isso exigiria que os cientistas fossem coerentes e
deixassem de lado a teoria evolucionista ou dispensassem recursos iguais para
o desenvolvimento da teoria criacionista. Isso é possível? E, se fosse, qual
seria o impacto disso para a ciência?
Colucci: Os critérios de
validade para uma teoria científica são a comprovação experimental e o poder
preditivo. Qualquer teoria científica pode ser abandonada à luz de novos fatos,
de idéias que expliquem melhor os fatos conhecidos ou que façam previsões mais
precisas. Uma teoria científica deve poder ser falseada, isto é, devem sempre
existir experimentos e fatos que, se comprovados, demonstrem que é falsa. A
ciência avança corrigindo-se a si mesma. Se surgir uma teoria que explique
melhor a origem das espécies do que síntese moderna neodarwinista, esta deverá ser
abandonada em favor da daquela. Infelizmente, para os criacionistas, o darwinismo
está entre as teorias mais fortes e duradouras da história da ciência. E nada
indica que será derrubado tão cedo.
Investir recursos no ensino do criacionismo é o mesmo
que sustentar a religião de uma minoria com o dinheiro da maioria. O criacionismo
não produz hipóteses que possam ser demonstradas. O criacionismo não é capaz
de descrever um único experimento que comprovaria o mecanismo da criação. O
criacionismo não é capaz de fazer uma única previsão verificável. A biblioteca
criacionista poderia ter um único livro: a bíblia.
ZOOM: Como resultado da
publicação do seu artigo no Observatório da Imprensa, o Sr. se viu metido em
um debate polêmico e áspero com o filósofo Olavo de Carvalho que, apesar de
não se declarar nem evolucionista nem criacionista, tem defendido a bandeira
do criacionismo e atacado o evolucionismo. Independentemente da questão “particular” entre
vocês dois, questão esta que ainda está se desenrolando, como o Sr. vê o fato
de que muitas pessoas com status e projeção no mundo acadêmico defendam
o criacionismo? A que se deveria isso, na sua opinião?
Colucci: Na verdade
o Olavo de Carvalho é um caso isolado. Não há indícios de que pertença a uma
religião ou movimento criacionista organizado, como, por exemplo, os adventistas.
Discordo da afirmação de que tenha projeção no mundo acadêmico. Pelo contrário,
ele é autodidata e antiacadêmico, embora dê aulas numa universidade. No mundo
acadêmico brasileiro, e aqui penso nas poucas instituições que produzem conhecimento
no Brasil, ele não é levado a sério. Adquiriu projeção em determinados círculos
mais por sua posição política e religiosa do que pela originalidade de suas
idéias.
O fato de o criacionismo organizado
cooptar umas poucas pessoas do meio acadêmico – mais nos EUA e menos no Brasil – faz
parte da estratégia do “wedge” ou cunha, que acabou se espalhando pelo mundo.
Jovens religiosos são encorajados a buscar uma carreira em ciência para propagar
a verdadeira “ciência” baseada na bíblia. Isto é, partem da conclusão para
chegar à hipótese. Uns poucos chegam a se formar. Acredito que a academia
esteja devidamente vacinada contra isso. O perigo é quando grupos religiosos
começam a influenciar a política de educação e as leis em geral, como ocorreu
no Rio de Janeiro. Os fanáticos religiosos estão entre os grandes inimigos
do espírito humano.
ZOOM: As teorias criacionistas
mais modernas apregoam que a evolução das espécies não nega a criação original
e que, muito pelo contrário, a evolução seria uma decorrência dessa criação
original, onde o criador teria estabelecido as “regras” para a evolução no
mesmo momento em que criou o universo e os seres vivos. Como o Sr. vê isso?
Colucci: Essa é a visão do
Vaticano e dos ramos tradicionais do protestantismo. O Papa João Paulo II
disse que “teorias da evolução que considerem que a mente surja das forças
da matéria viva são incompatíveis com a verdade sobre o homem”. A definição
de verdade, claro, é o que o Papa diz ser verdade. Surpreendentemente, muitos
cientistas adotam a mesma posição. Isso exige uma capacidade notável de conviver
com a contradição. Wallace, co-descobridor da evolução era religioso. Dobzhansky
rezava todas as noites. Para citar um exemplo mais recente, o diretor do projeto
genôma humano, Francis Collins, é um homem bastante religioso.
Muitos cientistas têm um certo pudor
de extrapolar claramente as conseqüências lógicas da teoria da evolução. Acho
isso uma manifestação de fraqueza intelectual. Do ponto de vista estritamente
científico, a evolução nada nos diz sobre a existência ou não de Deus, mas,
sem dúvida, joga-o para bem longe de onde a bíblia o colocou. Segundo a evolução,
tanto o surgimento da vida quanto o da inteligência humana são explicáveis
por mecanimos naturais, sem a necessidade da intervenção de um demiurgo.
ZOOM: Os alunos do ensino
médio estarão em breve prestando os exames vestibulares do final do ano e muitos
optarão pela carreira de ciências biológicas ou de saúde. Para esses alunos
a teoria criacionista pouco ajudará, visto que não faz nem parte do programa
exigido pelos vestibulares. Mesmo assim muitos deles, por razões religiosas, “crêem
mais” na teoria criacionista do que na teoria evolucionista. O que o Sr. diria
para esses alunos sobre a importância da teoria evolucionista independentemente
de credo religioso?
Colucci: Religião é uma questão
de foro íntimo. Eu posso acreditar no deus que quiser, ou em nenhum deus.
A constituição brasileira me garante não só a liberdade de religião, mas também
de posição filosófica. Ao tornar-me um cientista, eu tenho que deixar de lado
as minhas crenças pessoais e ater-me aos fatos. Isso é difícil mas não é impossível.
Cuvier, o naturalista que citei anteriormente, foi um bom cientista. Embora
tivesse razões sociais e religiosas para defender as suas posições, sua rejeição
das teorias de evolução pré-darwinianas baseava-se em razões científicas.
Depois de Darwin, ficou impossível fazer isso sem pisotear a razão.
Acredito que em uma sociedade democrática
e secular, como as do Ocidente, qualquer imposição da religião em assuntos
onde ela não caiba deve ser combatida. Isso vale para médicos espíritas, cientistas
criacionistas, juízes de direito evangélicos e jogadores de futebol que tiram
a camisa da seleção brasileira para mostrar a propaganda do “Jesus te ama”.
Estes últimos me deixaram particularmente irritados. Foram para a copa com
o dinheiro sofrido do nosso povo para representar o Brasil, e não para fazer
proselitismo religioso.
ZOOM: Para finalizar, gostaríamos de saber
o que levou o Sr. a assumir essa postura crítica, publicar artigos defendendo
o evolucionismo, comprar briga com filósofos e “estudar” essa questão com uma
profundidade bem maior do que geralmente se esperaria de um engenheiro?
Colucci: A postura crítica é efeito
colateral do meu amor à ciência, e não apenas ao evolucionismo. Penso que
existe um risco grande de retrocesso no racionalismo tão duramente conquistado
pelo Ocidente. A ciência trouxe enormes benefícios para a humanidade.Quanto à evolução,
eu acho que, ao contrário do que dizem os religiosos fundamentalistas, o seu
estudo amplia os nossos horizontes filosóficos. A evolução mostra que somos
parte de um contínuo natural. Mostra que não somos substancialmente diferentes
dos animais irracionais e que a vida é um evento tão raro que deve ser respeitada.
Os religiosos perguntam: De onde vem a consciência humana? A resposta evolucionista é:
Vem da consciência animal. Entre nós e os primatas a diferença é quantitativa.
Nesse sentido, a evolução nos dá uma lição de humildade.O estudo da ciência
nos revela a beleza do universo e traz um sentido à existência que não depende
da crença no supernatural.
ZOOM: O Sr. tem certeza
de que não queria ser biólogo? J
Colucci: Sou casado
há 23 com uma bióloga e, quando namorávamos, assisti de carona muitas aulas
do curso de biologia da Unicamp. Suas amigas brincavam dizendo que eu também
deveria receber o diploma, pois tinha mais horas de curso do que muitos alunos.
Mas optei pela engenharia e adoro o que faço, principalmente a interface entre
a física, a biologia e os fatores humanos que são vitais na minha área – o
projeto de equipamentos médicos.
Para consultar na Internet
Artigos de Olavo de Carvalho que iniciaram a polêmica com o Dr. Colucci
http://www.olavodecarvalho.org/semana/040506jt.htm
http://www.olavodecarvalho.org/semana/040626globo.htm
http://www.olavodecarvalho.org/semana/040710globo.htm
Primeiro artigo de Colucci
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=286OFC002
Réplicas de Olavo de Carvalho
http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=2562
– 1ª parte
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=293OFC002
– 2ª parte
Tréplica de Colucci
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=297OFC002