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Por que é difícil entender e ensinar a evolução?
Por José Carlos Antonio      Atualizado em 9/11/2004  

A teoria da evolução é parte do currículo de ensino de ciências e de biologia e um eixo integrador dentro da biologia. Por ser uma teoria científica ela deve ser ensinada nas escolas independentemente do credo religioso dos alunos e dos professores.

A maior parte dos professores de biologia acha fácil ensinar a teoria da evolução, mas paradoxalmente muitos deles, principalmente na rede pública, possuem concepções erradas sobre a teoria.

Neste artigo da seção Erro-Padrão procuramos listar e discutir algumas dessas dificuldades e esperamos com isso propor uma reflexão de alunos e professores sobre seus conceitos e preconceitos com relação ao tema.

Vamos evoluir no assunto?

Apesar da teoria da evolução biológica ter surgido ainda em 1858, com a publicação do artigo de Wallace (referendado por Darwin) e do livro de Darwin, A origem das espécies por meio da seleção natural no ano seguinte, e de ser hoje em dia a teoria mais bem aceita na comunidade científica por ter se mostrado como uma das mais fantásticas teorias da modernidade, cujo impacto causado na sociedade é equiparável aos trabalhos de Copérnico, Newton, Einstein, Marx e Freud, por exemplo, ainda assim encontramos um contingente muito grande de pessoas que “não acreditam” na teoria evolutiva e um número não muito menor de pessoas que aceitam a teoria, mas não a compreendem.

As teorias científicas raramente são “compreendidas”, mas geralmente são “aceitas” por representarem corpos de conhecimento coerentes, satisfatórios e úteis. Copérnico e Einstein, por exemplo, nunca foram “compreendidos”, nem mesmo por muitos de seus “seguidores”.

O livro de Copérnico, De Revolutionibus Orbium Coelestium (“Sobre as revoluções dos orbes celestes”), anunciando o sistema heliocêntrico (*1), possui uma dificuldade de compreensão matemática e uma aridez e complexidade tão grandes que foi um dos livros “menos lidos” do mundo.

Tirando uns poucos físicos, geralmente ligados ao estudo da história da ciência, quem mais leu o Principia (Philosophiae Naturalis Principia Mathematica) de Isaac Newton onde estão suas famosas leis da mecânica?

 

A teoria da relatividade geral de Albert Einstein continua sendo uma ilustre desconhecida até mesmo para a maioria dos próprios físicos

E o mesmo é válido para os psicólogos e psiquiatras com relação às obras de Freud, ou para os economistas e sociólogos com relação ao O Capital, de Marx. Isso sem falar de nomes da modernidade, como Hawkings e seus buracos negros, cuja matemática só ele e mais meia dúzia de especialistas conseguem manipular. Porém, são raras as pessoas que “duvidam” de Copérnico, Newton, Einstein, Freud, Marx ou mesmo Hawkings, ainda que não os compreendam. Mas, porque então tanta gente duvida de Darwin, aquele velhinho simpático cuja foto até lembra o Papai Noel?

Charles Robert Darwin
(1809-1882)

Em uma publicação recente da revista científica da Sociedade Brasileira de Genética, “Genetics and Molecular Biology”, os pesquisadores Rosana Tidon (Universidade de Brasília) e Richard C. Lewontin (Harvard University - USA) apontaram algumas das dificuldades encontradas por professores de ciências e biologia ao ensinarem a teoria evolutiva. A seguir passamos a discutir algumas das conclusões desse artigo e outras que ouvimos dos próprios professores.

A biologia evolutiva e a ecologia formam um eixo integrador que envolve aspectos intra-disciplinares, interdisciplinares e transdiciplinares abrangendo, portanto, conhecimentos em diversas áreas dentro da própria biologia, em áreas distintas como a matemática, a filosofia, a geologia, a química e a física, por exemplo, e relações que extrapolam as próprias “disciplinas” dos currículos e abordam contextos históricos e sociais, aspectos econômicos, morais, religiosos etc. Enfim, a teoria da evolução não é apenas uma teoria isolada com aplicações restritas, mas sim uma teoria que se inter-relaciona com uma multiplicidade imensa de outros temas.

Quando um aluno toma contato pela primeira vez com o tema “evolução” nas aulas de biologia, ele não chega “vazio de conceitos” e ávido por aprender algo “novo”. Muito pelo contrário, o aluno chega ao tema evolução depois de ter recebido uma carga muito grande de informações sobre a evolução e, infelizmente, traz consigo muitas informações erradas, erros conceituais, interpretações indevidas, significados impróprios para os termos técnicos que usará e preconceitos religiosos, morais e mesmo sociais e filosóficos.

Existe, por exemplo, uma resistência considerável ao aprendizado da evolução biológica por parte de alunos religiosos, principalmente evangélicos, que vêem na evolução uma agressão às suas crenças religiosas criacionistas. Esses alunos ouvem explicitamente de seus guias religiosos que a teoria da evolução é uma “mentira”, e depois se vêem obrigados a conviver com um conflito ético-moral entre o que diz a ciência e o que diz sua própria religião.

Na mídia, em geral, e em especial na mídia religiosa, há uma infinidade de publicações de antievolucionistas tentando minar a teoria da evolução por meio da criação de interpretações errôneas da teoria como, por exemplo, pela propagação da falsa idéia de que o homem é um ser que “evoluiu do macaco” e, portanto, é descendente dele. O impacto de uma afirmativa como essas é enorme, pois além de atingir o ego religioso de quem aprende que é “a imagem e semelhança de seu deus”, também soa “degradante” para muitas pessoas imaginarem-se como “filhos de macacos”.

Os chimpanzés são “descendentes de humanos” ou os homens são “descendentes de chimpanzés”? Nem um, nem outro, mas segundo a ciência ambos temos um parente comum no passado.

Embora a afirmativa esteja errada e a teoria evolutiva nunca a tenha feito, o que fica na memória das pessoas é a reação negativa à idéia de um “processo evolutivo” onde nós, humanos, somos colocados no mesmo degrau de importância dos demais seres vivos. Na verdade o reconhecimento de nossa natureza animal (e não divina) não é de forma alguma “degradante”, mas é difícil se convencer disso quando se crê que sejamos “semelhantes aos deuses e herdeiros do universo”.

Oi “primo”!!!

Para piorar, o fato de que 98,5% de nossos genes são os mesmos dos chimpanzés faz reforçar ainda mais a idéia errada de que somos descendentes dos macacos, em vez de reforçar a idéia correta de que nós e os macacos devemos ter uma descendência comum. A proximidade de nossos códigos genéticos é um indicativo de que temos um ancestral comum muito mais próximo do chimpanzé do que, por exemplo, dos ratos. Mas se a idéia de sermos “parentes dos macacos” já causa ojeriza entre muitas pessoas, imagine só como deve ser a idéia de sermos também “parentes dos ratos”, por exemplo? (E olha que mais de 70% de nossos genes são iguais aos dos camundongos de laboratório!!!)

Ei, humano, relaxe! Os cientistas também já descobriram que vocês são parentes mais próximos nossos do que desses ratinhos aí de cima.

Além dos preconceitos religiosos e morais com relação à descendência humana, também temos expectativas filosóficas que divergem da concepção da teoria da evolução biológica. Assim, da mesma forma como algumas religiões orientais e ocidentais acreditam que o homem possa e deva “evoluir com um propósito de se tornar cada vez melhor”, também há concepções filosóficas que apostam nessa “busca da perfeição”, como a filosofia de Sócrates, Platão e seus seguidores.

A confusão entre “evolução moral” e “evolução biológica” faz com que muitos interpretem a teoria de Darwin-Wallace de uma forma completamente diferente de como a ciência trata a questão. Ou seja, algumas pessoas acreditam que a evolução biológica busque atingir algum propósito, semelhantemente à filosofia de Platão, por exemplo, que pressupunha que naturalmente devemos buscar a perfeição. No caso da evolução biológica esse propósito “extrapolado da filosofia” seria o de tornar os seres vivos cada vez mais “perfeitos”, “melhores adaptados”, “mais eficientes” ou “mais complexos”, muito embora a teoria evolutiva não afirme nada disso.

O naturalista Alfred Russel Wallace (1823-1913)

Para piorar, a idéia de que os seres vivos evoluem para se adaptarem ao seu hábitat, e por pressão desse hábitat, é uma idéia errônea, mas que, no entanto, foi defendida por um dos personagens historicamente ligados à teoria da evolução e que aparece ao lado de Darwin nos livros didáticos que ensinam essa teoria, mas muitas vezes sem o devido cuidado de “ser bem explicado e não confundido com Darwin e a evolução”: estamos falando de Lamarck.

Jean Baptiste de Monet - Cavaleiro de Lamarck (1744-1829)

Lamarck acreditava que os seres vivos sofriam modificações condicionadas pelo ambiente e que essas modificações eram incorporadas nas gerações futuras. Até mesmo hoje em dia usa-se o famoso exemplo “errado” do pescoço da girafa (que teria ficado comprido devido à necessidade das girafas comerem folhas das copas das árvores), ora como exemplo (errado) de evolução, ora como uma forma de ridicularizar Lamarck, suas contribuições à teoria evolucionista e mesmo a própria teoria da evolução. Para falar das contribuições de Lamarck à teoria da evolução o Zoom já entrevistou em 1999 a Profa. Lilian Al-Chueyr Pereira Martins, PhD em História da Ciência por Cambridg. Infelizmente nessa época ainda não havia a versão eletrônica do Zoom e, portanto, a entrevista não está disponível online.

Muitos vêem a evolução como um processo contínuo de “adaptação” ao meio ambiente, mas a teoria de Darwin não diz nada disso! A figura acima, encontrada na Internet sem créditos de autoria, é inspirada nesse conceito errado (mas não deixa de ser divertida!).

Os alunos (e as pessoas em geral) vêem qualidades como “inteligência” e “complexidade”, por exemplo, como critérios de progresso evolutivo, embora a extrema maioria dos seres vivos atuais, e portanto bem sucedidos no processo de seleção natural, não tenham seguido essa linha evolutiva (bactérias são “burras” e “simples”, por exemplo, mas são a maioria no nosso planeta e, portanto, estão muito bem adaptadas). A idéia de uma “escala evolutiva” que termina no Homem é uma idéia muito presente no pensamento ocidental, mas é uma idéia que desconsidera a concepção moderna de um processo aleatório e sem propósito para a evolução.

Além disso, há também uma concepção errada de que o ambiente é “estático” e que as espécies “buscam se adaptar a ele”. Porém, os organismos mantêm uma relação dialética com o ambiente, isto é, há uma interação entre organismo e ambiente de forma que um depende do outro e ambos se modificam conjuntamente. Compreender um ambiente dinâmico e interdependente dos seres vivos não é fácil porque também não temos condições “psicológicas” de imaginar o “tempo geológico e evolutivo” que implica milhões, bilhões de anos, enquanto nossas vidas não chegam geralmente nem a uma centena de anos. Mesmo a história registrada da humanidade,, contando as pinturas rupestres e as descobertas arqueológicas de utensílios dos “homens das cavernas”, mal chega a alguns milhares de anos (algo em torno de dez a 50 mil anos apenas – o que é nada quando comparado a 50 ou 500 milhões de anos, por exemplo).

Pintura rupestre em parede de caverna

Outra questão habitualmente abordada quando se fala da teoria da evolução é a questão da “origem primeira” dos seres vivos e, por extensão, a origem do próprio universo. A teoria da evolução não dá respostas a isso e nem precisa dá-las. A origem do universo é uma questão em discussão na física (e uma questão ainda em aberto), e não um problema da biologia evolutiva. Já a origem primeira da vida, que atualmente é muito mais uma questão de físico-química do que uma questão de evolução propriamente dita, seja lá qual for essa origem ela não invalida a teoria da evolução que já temos construída, pois a teoria da evolução não pretende ser um “mito de criação” que explique a vida por completo, mas pretende apenas explicar de forma coerente a maneira como as espécies se modificam e interagem com o ambiente.

É claro que quando os cientistas tiverem condições de explicar as origens primeiras da vida, caso venham a ter essas condições um dia, espera-se que isso seja naturalmente incorporado à teoria da evolução, mas o fato de hoje não se saber todas as respostas sobre as origens primeiras da vida na Terra não invalida as respostas que já temos sobre o desenrolar dessa vida em nosso planeta.

A questão da “complexidade” é outro ponto que tem sido muito discutido na mídia (principalmente na mídia criacionista) e, ultimamente, é o filão onde os criacionistas modernos se agarram. A tese dos criacionistas “vendida como possibilidade e argumento científico” é a de que a complexidade da vida não poderia ter surgido por mutações genéticas aleatórias e sem um “propósito inteligente” orientando essas mutações. A questão básica aqui é que ninguém quer afirmar explicitamente que esse “propósito inteligente” (*2) seria uma espécie de “deus” que planeja e faz executar todos os atos da natureza, mas no fundo o que os criacionistas propõem é isso mesmo: que por trás de toda mutação genética que produza um novo ser, e ao longo do tempo novas espécies, há sempre uma “intenção” de algum criador. Isso soa bem como religião, mas é absolutamente irrelevante como ciência.

A mídia e o ambiente lingüístico do cotidiano dos alunos também não favorecem o aprendizado da evolução. Palavras como “evoluir”, “adaptar”, “adaptação” e “aptidão”, por exemplo, possuem um sentido na linguagem cotidiana diferente do sentido evolutivo, mas muitos alunos não conseguem perceber essa diferença ou não conseguem se desprender do sentido usual do termo, usando-o erroneamente no contexto da teoria da evolução. Semelhantemente à confusão muito comum entre “peso” e “massa” que ocorre na física, muitos alunos entendem que “evoluir” é o mesmo que “tornar-se melhor”, que “adaptação” significa “uma mudança individual forçada pelo meio” etc.

Por fim, subtraídas as dificuldades de compreensão da teoria da evolução devido às limitações psicológicas, lingüísticas, religiosas, filosóficas etc., restam ainda as dificuldades “práticas”. Mais da metade dos professores da rede pública de ensino que foram pesquisados por Tidon e Lewontin, por exemplo, admitem encontrarem dificuldades no ensino da biologia evolutiva por razões diversas, tais como: deficiências do professor na sua formação acadêmica, imaturidade e falta de pré-requisitos dos alunos, deficiência do material didático e falta de tempo para inserir o conteúdo no currículo. Mas apesar disso, e paradoxalmente, a maioria dos professores pesquisados considera ser “fácil para eles” ensinar as teorias de Lamarck e Darwin.

Além das queixas apresentadas pelos professores consultados na pesquisa, temos também outro dado sintomático e importante para analisarmos, e refletirmos, que diz respeito a essa “suposta facilidade de se ensinar Lamarck e Darwin”: quase metade dos professores que participaram dessa pesquisa são “lamarckistas” e nem sabem disso, pois dão respostas “erradas” sobre conceitos básicos da evolução, tais como:

·         A evolução biológica sempre produz aprimoramento?

·         A evolução biológica possui alguma “direção”?

·         A evolução biológica pode ocorrer em um indivíduo?

“Ainda bem que evoluímos em outra direção e não precisamos nos preocupar com isso”

Assim, como se pode ver diante do exposto, ensinar a teoria da evolução na verdade não é fácil e nem simples para o professor e, aprendê-la, como aluno, deve ser ainda um pouco pior.

No entanto, apesar de todas as dificuldades, cabe ao professor “aparar suas próprias arestas conceituais” e buscar meios didático-pedagógicos para ensinar a teoria da evolução para seus alunos. Afinal, como foi dito no início desse artigo, a teoria da evolução não é “apenas mais uma teoria”, como gostariam de poder dizer com alguma razão os seus oponentes, mas sim a “melhor teoria disponível” para explicar as relações dinâmicas entre os organismos ao longo do tempo e entre esses e o meio ambiente com o qual interagem. Além disso, os PCNs têm razão ao eleger a evolução e a ecologia como formadores de eixo integrador e norteador do currículo da biologia, pois quase todos os conteúdos da biologia esbarram de alguma forma nesse eixo e, como se não bastasse, esse eixo transpassa diversas outras áreas do conhecimento humano.

Glossário

(*1) O sistema heliocêntrico de Copérnico era um sistema no qual o Sol era situado no centro do universo e a Terra girava ao seu redor junto com os demais planetas.

(*2) O propósito inteligente, ou “design inteligente”, como também é conhecido, é na verdade um argumento “neutro” que não compromete em absolutamente nada a teoria da evolução.

Nenhum criacionista se dispõe a discutir as intenções por trás de um vírus, como o da Aids, por exemplo, ou por trás de uma bactéria que só é encontrada no fundo dos oceanos, mas contentam-se em afirmar que por meios não intencionais a evolução não poderia ocorrer. O grande erro dos criacionistas que fazem essa “pregação” disfarçada em argumentação científica é desconsiderar o fato básico de que a teoria da evolução não precisa “justificar as razões pelas quais a evolução ocorre”, mas tão somente compreender e descrever os processos que originam e orientam essa evolução. Se há ou não uma inteligência planejando a evolução de cada vírus e bactéria mutante do planeta, pouco importa desde que possamos compreender “como se dá essa evolução”. Nesse estrito sentido não faz a menor diferença se chamarmos a aleatoriedade das mutações genéticas de “reflexos de uma inteligência” ou “caprichos da natureza”.

Em uma comparação com a física, por exemplo, as “causas”, isto é, a “inteligência” que planeja a evolução que os criacionistas afirmam serem necessárias, são as mesmas que fazem com que a matéria atraia a própria matéria na razão direta do produto de suas massas e na razão inversa do quadrado das distâncias separa seus centros de massa (lei da gravitação universal de Newton), isto é, pouco importa saber se a matéria age dessa forma porque alguma “inteligência” assim desejou que fosse ou porque a matéria tenha naturalmente essa “propriedade de se atrair”. Assim, se há ou não “alguém” planejando as mutações e promovendo as modificações necessárias no ambiente ao longo de todo o tempo, pouco importa, pois podemos compreender a evolução mesmo sem compreender a “mente” desse suposto engenheiro do universo e isso, em outras palavras, é o mesmo que dizer que podemos entender a evolução (e a natureza) sem a necessidade de supormos nenhuma inteligência planejando-a.

Para consultar na Internet

http://www.comciencia.br/200407/reportagens/img/teaching_evolutionary_biology.pdf - Artigo “Teaching evolutionary biology”, dos pesquisadores Rosana Tidon e Richard C. Lewontin no qual grande parte dessa matéria do Erro-Padrão se baseia (em inglês).

http://www.cyberteacher.hpg.ig.com.br/imersao/downloads/Textos/obras_completas/science/the_origin_opf_the_species.txt - Texto integral do livro “A origem das espécies” de Charles Darwin (em inglês).

http://curlygirl.no.sapo.pt/evolucao.htm - Site português com um resumo do desenvolvimento da teoria da evolução.

http://www.don-lindsay-archive.org/creation/site_map.html - Site sobre evolução (em inglês).

http://www.assis.unesp.br/~egalhard/evolucao.htm - Um bom curso de nível introdutório sobre a teoria da evolução.

Como aplicar esta matéria em sala de aula

Colegas professores,

Segundo os PCNs, o ensino da evolução e da ecologia compõe um eixo integrador para o ensino de toda a biologia. Tanto a evolução quanto a ecologia são campos da biologia muito bem estudados e, embora o ensino da ecologia aparente não ter grandes problemas, o mesmo não se dá com o ensino da evolução.

Muitos professores, principalmente na rede pública, julgam ser “fácil” ensinar evolução, mas, contraditoriamente, eles mesmos têm grandes dificuldades em compreender alguns conceitos da teoria evolutiva. Não bastasse isso ainda temos uma miríade de “pequenos problemas” relacionados ao tema que vão desde o uso incorreto da terminologia pela mídia, até concepções filosóficas criacionistas que são recorrentes e se imiscuem nos discursos científicos. Sem falar na questão da individualidade dos professores que, mesmo sendo professores de biologia, podem muito bem ser também religiosos praticantes de alguma religião criacionista e, portanto, terão que conviver continuamente com uma situação conflitante ao ensinarem evolução.

Todas essas questões nos levaram a tentar fazer um apanhado das dificuldades encontradas no ensino da evolução, que certamente não abarca todas as possibilidades, e que visa, por um lado, a propor uma reflexão sobre a atuação do professor ao abordar esse tema e, por outro, propor uma reflexão sobre como o aluno vê a abordagem oferecida pelo professor.

Embora o artigo enfoque a questão do confronto entre o criacionismo e o evolucionismo, ele também trata da questão da discrepância entre o ensino religioso e o ensino da ciência e, nesse sentido, é também útil para a discussão do ensino de ciências em geral e não apenas da biologia.

Professores de física e de química certamente deparam com preconceitos religiosos, morais, éticos e filosóficos que atrapalham o ensino de suas disciplinas. Professores de história e geografia terão certamente a oportunidade de analisar o impacto das idéias religiosas de uma época ou de um povo no desenvolvimento das sociedades. Enfim, essa questão, assim como o ensino da evolução, é um eixo transversal para todas as disciplinas.




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