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Arqueologia subaquática
Por Gilson Rambelli, Paulo Bava de Camargo e Flávio Rizzi Calippo     Atualizado em 8/5/2003  Página 1 de 6   próxima >  

No artigo “Arqueologia subaquática”, os arqueólogos Gilson Rambelli, mestre e doutorando em arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE/USP) e representante brasileiro no International Committe on Underwater Cultural Heritage (Icuch/Icomos/Unesco Paulo Bava de Camargo, mestre em arqueologia pela mesma instituição; e o oceanógrafo e mestrando em arqueologia no MAE – USP, Flávio Rizzi Calippo, trazem aos leitores do Zoom uma aparente novidade: a arqueologia subaquática, ramo da arqueologia que pesquisa a cultura material submersa.

Sócios-fundadores do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (Ceans), esses pesquisadores nos mostram uma importante lição de preservação de patrimônio cultural e, também, como a política, quando ligada a interesses estritamente econômicos, pode atrapalhar a pesquisa científica e privar as gerações futuras de preciosas informações.

Isso porque, arqueologia subaquática pode logo levar nossas mentes a Indiana Jones de escafandro roubando embarcações soçobradas e constituindo coleções particulares de raros artefatos. Aliás, os jornais e revistas vivem cheios desses casos. Mas, aqui, estamos falando de coisa séria: um combate à pirataria e um empenho pela preservação patrimonial. O melhor: você entenderá como pode ajudar e até mesmo sobre a possibilidade de cursos de mergulho dessa natureza visitando os links e o livro recomendados no “Para saber mais”.

Mergulhe de cabeça e entenda mais sobre o assunto desfrutando dessa agradável leitura!

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Arqueologia subaquática: atribuição da arqueologia

A arqueologia subaquática é a própria arqueologia realizada no ambiente aquático. Logo, é uma ciência social que estuda as sociedades passadas por meio da análise e interpretação de seus restos materiais – cultura material – em seus devidos contextos.

O fato de testemunhos materiais de atividades humanas passadas estarem submersos – cultura material – não deve servir para descaracterizar a importância deles enquanto sítios arqueológicos, enquanto patrimônio cultural subaquático nem mesmo da pesquisa arqueológica sistemática a ser realizada in situ, embaixo d´água.

Para isso, o arqueólogo subaquático, além de levar as ferramentas típicas de qualquer trabalho de campo em arqueologia, como o pincel, a colher de pedreiro, as trenas, o caderno de campo, entre outros itens, ele leva também o seu equipamento de mergulho. Cabe ressaltar que, levar o ar para respirar, adaptar alguns métodos e técnicas ao ambiente aquático e ter cuidados especiais com a conservação dos objetos que compõem os sítios submersos são as únicas diferenças entre a arqueologia terrestre e a subaquática.

Portanto, urge a necessidade de essa arqueologia subaquática que estamos apresentando ser desvinculada, no Brasil, do conceito errôneo de disciplina sui generis, auxiliar da História, considerada como um simples ramo do mergulho, e comandada por aventureiros gananciosos e/ou sonhadores, que buscam apenas glória e lucro com a exploração e a comercialização desses bens culturais subaquáticos encontrados, sobretudo, em restos de embarcações naufragadas.

Arqueólogo se preparando para iniciar seu trabalho de campo (Foto: Fernando Andrade)

 

Arqueólogos realizando o levantamento de um sítio submerso (Foto: Fábio Pereira – Hydrosphera)

 

Arqueólogos realizando a planimetria do casco de uma embarcação naufragada (Foto Gui Garcia, CNANS/Portugal)
 
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