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Arqueologia subaquática
Por Gilson Rambelli, Paulo Bava de Camargo e Flávio Rizzi Calippo     Atualizado em 5/8/2003  Página 3 de 6   < anterior próxima >  
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Dez anos de arqueologia subaquática no Brasil

Preocupada com a preservação desses bens culturais para as gerações futuras, a arqueologia subaquática inclui em suas atividades não só a investigação sistemática in situ, mas também a proteção e gestão do patrimônio cultural subaquático, através da confecção de inventários do tipo Carta Arqueológica.

 Com o intuito de reverter esta preocupante situação de risco, que nos coloca na contramão do mundo, e promover a sustentabilidade desse patrimônio, estão sendo desenvolvidos projetos e firmados diversos protocolos de cooperação nacional e internacional envolvendo órgãos governamentais, universidades, ONGs e empresas de diversos setores da iniciativa privada.

Mesmo assim, apesar dos problemas enfrentados, completamos, neste ano de 2003, dez anos de luta oficial em prol do patrimônio cultural subaquático no Brasil. Nesse período, ironicamente, o grande financiador e incentivador da arqueologia subaquática foi o próprio Estado. Pois grande parte do desenvolvimento dos pesquisadores e dos projetos, em nível de pós-graduação, foi possível graças à Universidade de São Paulo (USP) e à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), ambas ligadas ao governo estadual.

O período em questão inicia-se em 1993, ano em que Gilson Rambelli iniciou oficialmente, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), seu mestrado: Arqueologia subaquática e sua aplicação à arqueologia brasileira: o exemplo do baixo vale do Ribeira, sob orientação da profa. dra. Maria Cristina Mineiro Scatamacchia. Vale ressaltar que esse projeto contou com uma especialização prévia do autor em arqueologia subaquática, na França, nos anos de 1992, 1994 e 1998. Também em 1993, foi organizada, na VII Reunião da SAB, uma mesa-redonda composta por representantes da arqueologia brasileira e da Marinha do Brasil, com o objetivo de discutir os problemas e as perspectivas da prática da arqueologia subaquática no Brasil.

A escolha do tema da pesquisa de mestrado acima citada, pioneiro na arqueologia brasileira, buscou iniciar o estudo sistemático de sítios arqueológicos submersos, com o objetivo não só de provar aos arqueólogos descrentes das possibilidades seguras de realizar pesquisas embaixo d’água com a mesma seriedade que em superfície, como também servir de exemplo concreto contra o forte discurso do lobby da caça ao tesouro, criando um debate entre produção do conhecimento versus produção e comercialização de coleções de artefatos.

A escolha dos sítios – um porto marítimo, Porto Grande de Iguape; um sítio de contato interétnico indígena/europeu: Toca do Bugio; e um sítio pré-histórico: Sambaqui do Prefeito –, rompeu com a tradição nacional de considerar os sítios arqueológicos submersos sinônimos de sítios de naufrágio e abriram um novo universo de pesquisa voltado à extensão de sítios arqueológicos ao ambiente aquático, buscando a compreensão da dinâmica cultural na interface terra-água, no processo de ocupação do litoral sul de São Paulo (baixo vale do Ribeira).

Os resultados que obtivemos permitiram as primeiras mudanças em prol da arqueologia realizada no ambiente aquático. Possibilitaram ainda a realização de outros trabalhos na região, envolvendo diferentes épocas e contextos, e assim, a partir do ano 2000, resolvemos incluir também em nossas pesquisas o estudo das embarcações naufragadas.

Ainda em fins da década de 1990, foram iniciadas mais duas pesquisas de mestrado no Museu de Arqueologia e Etnologia MAE-USP, sob orientação de Scatamacchia: a de Paulo F. Bava de Camargo, já encerrada, que tratou dos restos de uma fortificação do século 19, atualmente submersa na barra de Cananéia, SP; e a de Flávio Rizzi Calippo, em fase final, que estuda os sambaquis com bases submersas na Ilha do Cardoso/SP, resultantes de possíveis variações do nível marinho.

E esse processo continua, pois neste ano tivemos o ingresso de mais um aluno de doutorado, Leandro Duran, com sua pesquisa voltada para o ambiente subaquático da Ilha do Bom Abrigo, localizada em frente da barra de Cananéia, SP.

Imagem de satélite da área de pesquisa em Cananéia

 

Arqueólogos identificando um sítio arqueológico pré-histórico submerso (Foto: Fernando Andrade)

 

Restos de um sítio arqueológico de naufrágio e a qualidade da conservação de artefatos orgânicos como a madeira e a corda (Foto: Francisco Alves, CNAN/Portugal)
 
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