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Arqueologia subaquática
Por Gilson Rambelli, Paulo Bava de Camargo e Flávio Rizzi Calippo     Atualizado em 5/8/2003  Página 4 de 6   < anterior próxima >  
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Projetos e perspectivas

Hoje podemos falar que o Brasil tem arqueologia subaquática! Temos uma equipe de pesquisa especializada reconhecida internacionalmente, formada por novos arqueólogos, por meio de cursos e de intercâmbios no exterior. 

Outros aspectos que podemos ressaltar, além da formação de novos profissionais, são os intercâmbios com o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, para o desenvolvimento de equipamentos como magnetômetros, por exemplo, e o início do difícil processo de educação patrimonial e conscientização que estamos realizando com mergulhadores recreacionais e com o público em geral, permitindo a participação dos interessados, devidamente treinados em cursos específicos, nas etapas de campo de nosso trabalho.

Para esse trabalho de conscientização, contamos com o apoio dos programas de capacitação em arqueologia subaquática desenvolvidos pela Nautical Archaeology Society (NAS), ONG britânica, a qual representamos no Brasil, e que conta com mais de20 anos de tradição na área de proteção do patrimônio cultural subaquático.

Acreditamos que uma forma de modificarmos a Lei 10.166/00, que protege a caça ao tesouro e que incentiva grandes escavações, é a confecção de uma Carta Arqueológica detalhada, para conhecermos melhor o que temos e assim podermos criar mecanismos de gestão e proteção desses sítios para as gerações futuras. Essa é uma alternativa barata, que poderia contar com o apoio da Marinha do Brasil, com maior apoio das universidades e que representa a possibilidade de formação de mais profissionais, como também de integração com os mergulhadores recreacionais.

Finalizando, apesar das condições de formação, pesquisa e trabalho propiciadas pelo ambiente acadêmico, fez-se necessária a criação de um centro de estudos independente da universidade, mais ágil, mas com os mesmos preceitos da formação universitária. O Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (Ceans– www.arqueologiasubaquatica.org.br ), uma entidade sem fins lucrativos, é uma iniciativa não governamental que procura trabalhar tanto com a iniciativa privada, quanto com o governo, utilizando todo o know-how adquirido nesses anos de trabalho. E, acima de tudo, respeitando as leis brasileiras e os códigos internacionais, sem nunca se valer do argumento de que a pesquisa sem exploração econômica não compensa.

Cursos NAS de Introdução à arqueologia subaquática – Exercícios de capacitação em piscina (Foto VCR - Cine Vídeo)

 

Cursos NAS de Introdução à arqueologia subaquática – Exercícios de capacitação em piscina (Foto: Gilson Rambelli)

 

Campanha contra a caça ao tesouro e ao souvenir (Desenho Merca)

 

Campanha de conscientização em prol do patrimônio cultural subaquático (Foto: Raul Cerqueira e A.. C. Jacques)

 

Logomarca do Ceans – A embarcação a vela em questão corresponde a uma pintura rupestre localizada em um sítio arqueológico pré-histórico, no Seridó, no Rio Grande do Norte, estudado por Gabriela Martin.
 
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