Glossário
(*1) O sistema heliocêntrico de Copérnico era um sistema no qual o Sol era
situado no centro do universo e a Terra girava ao seu redor junto com os demais
planetas.
(*2) O propósito inteligente, ou “design inteligente”, como também é conhecido, é na
verdade um argumento “neutro” que não compromete em absolutamente nada a teoria
da evolução.
Nenhum criacionista se dispõe a discutir as intenções por trás de um vírus,
como o da Aids, por exemplo, ou por trás de uma bactéria que só é encontrada
no fundo dos oceanos, mas contentam-se em afirmar que por meios não intencionais
a evolução não poderia ocorrer. O grande erro dos criacionistas que fazem essa “pregação” disfarçada
em argumentação científica é desconsiderar o fato básico de que a teoria da
evolução não precisa “justificar as razões pelas quais a evolução ocorre”,
mas tão somente compreender e descrever os processos que originam e orientam
essa evolução. Se há ou não uma inteligência planejando a evolução de cada
vírus e bactéria mutante do planeta, pouco importa desde que possamos compreender “como
se dá essa evolução”. Nesse estrito sentido não faz a menor diferença se chamarmos
a aleatoriedade das mutações genéticas de “reflexos de uma inteligência” ou “caprichos
da natureza”.
Em uma comparação com a física, por exemplo, as “causas”, isto é, a “inteligência” que
planeja a evolução que os criacionistas afirmam serem necessárias, são as mesmas
que fazem com que a matéria atraia a própria matéria na razão direta do produto
de suas massas e na razão inversa do quadrado das distâncias separa seus centros
de massa (lei da gravitação universal de Newton), isto é, pouco importa saber
se a matéria age dessa forma porque alguma “inteligência” assim desejou que
fosse ou porque a matéria tenha naturalmente essa “propriedade de se atrair”.
Assim, se há ou não “alguém” planejando as mutações e promovendo as modificações
necessárias no ambiente ao longo de todo o tempo, pouco importa, pois podemos
compreender a evolução mesmo sem compreender a “mente” desse suposto engenheiro
do universo e isso, em outras palavras, é o mesmo que dizer que podemos entender
a evolução (e a natureza) sem a necessidade de supormos nenhuma inteligência
planejando-a.