Sistema de Ensino Integral
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Por que é difícil entender e ensinar a evolução?
Por José Carlos Antonio     Atualizado em 9/11/2004  Página 2 de 4   < anterior próxima >  
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Glossário

(*1) O sistema heliocêntrico de Copérnico era um sistema no qual o Sol era situado no centro do universo e a Terra girava ao seu redor junto com os demais planetas.

(*2) O propósito inteligente, ou “design inteligente”, como também é conhecido, é na verdade um argumento “neutro” que não compromete em absolutamente nada a teoria da evolução.

Nenhum criacionista se dispõe a discutir as intenções por trás de um vírus, como o da Aids, por exemplo, ou por trás de uma bactéria que só é encontrada no fundo dos oceanos, mas contentam-se em afirmar que por meios não intencionais a evolução não poderia ocorrer. O grande erro dos criacionistas que fazem essa “pregação” disfarçada em argumentação científica é desconsiderar o fato básico de que a teoria da evolução não precisa “justificar as razões pelas quais a evolução ocorre”, mas tão somente compreender e descrever os processos que originam e orientam essa evolução. Se há ou não uma inteligência planejando a evolução de cada vírus e bactéria mutante do planeta, pouco importa desde que possamos compreender “como se dá essa evolução”. Nesse estrito sentido não faz a menor diferença se chamarmos a aleatoriedade das mutações genéticas de “reflexos de uma inteligência” ou “caprichos da natureza”.

Em uma comparação com a física, por exemplo, as “causas”, isto é, a “inteligência” que planeja a evolução que os criacionistas afirmam serem necessárias, são as mesmas que fazem com que a matéria atraia a própria matéria na razão direta do produto de suas massas e na razão inversa do quadrado das distâncias separa seus centros de massa (lei da gravitação universal de Newton), isto é, pouco importa saber se a matéria age dessa forma porque alguma “inteligência” assim desejou que fosse ou porque a matéria tenha naturalmente essa “propriedade de se atrair”. Assim, se há ou não “alguém” planejando as mutações e promovendo as modificações necessárias no ambiente ao longo de todo o tempo, pouco importa, pois podemos compreender a evolução mesmo sem compreender a “mente” desse suposto engenheiro do universo e isso, em outras palavras, é o mesmo que dizer que podemos entender a evolução (e a natureza) sem a necessidade de supormos nenhuma inteligência planejando-a.

 
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