Como aplicar esta matéria em sala de aula
Colegas professores,
Segundo os PCNs, o ensino da evolução e da ecologia compõe um eixo integrador
para o ensino de toda a biologia. Tanto a evolução quanto a ecologia são campos
da biologia muito bem estudados e, embora o ensino da ecologia aparente não
ter grandes problemas, o mesmo não se dá com o ensino da evolução.
Muitos professores, principalmente na rede pública, julgam ser “fácil” ensinar
evolução, mas, contraditoriamente, eles mesmos têm grandes dificuldades em
compreender alguns conceitos da teoria evolutiva. Não bastasse isso ainda temos
uma miríade de “pequenos problemas” relacionados ao tema que vão desde o uso
incorreto da terminologia pela mídia, até concepções filosóficas criacionistas
que são recorrentes e se imiscuem nos discursos científicos. Sem falar na questão
da individualidade dos professores que, mesmo sendo professores de biologia,
podem muito bem ser também religiosos praticantes de alguma religião criacionista
e, portanto, terão que conviver continuamente com uma situação conflitante
ao ensinarem evolução.
Todas essas questões nos levaram a tentar fazer um apanhado das dificuldades
encontradas no ensino da evolução, que certamente não abarca todas as possibilidades,
e que visa, por um lado, a propor uma reflexão sobre a atuação do professor
ao abordar esse tema e, por outro, propor uma reflexão sobre como o aluno vê a
abordagem oferecida pelo professor.
Embora o artigo enfoque a questão do confronto entre o criacionismo e o evolucionismo,
ele também trata da questão da discrepância entre o ensino religioso e o ensino
da ciência e, nesse sentido, é também útil para a discussão do ensino de ciências
em geral e não apenas da biologia.
Professores de física e de química certamente deparam com preconceitos religiosos,
morais, éticos e filosóficos que atrapalham o ensino de suas disciplinas. Professores
de história e geografia terão certamente a oportunidade de analisar o impacto
das idéias religiosas de uma época ou de um povo no desenvolvimento das sociedades.
Enfim, essa questão, assim como o ensino da evolução, é um eixo transversal
para todas as disciplinas.